Uma formação ampliada reuniu toda a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres de Corumbá, Ladário e Puerto Quijarro, na Bolívia, promovendo um debate essencial sobre conceitos, legislações e equipamentos instituídos pela Lei Maria da Penha. Durante dois dias, foram analisados dados de ocorrências e perfis das vítimas de feminicídio, fortalecendo as estratégias de proteção.
Conduzida pela subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, ligada à Secretaria de Estado da Cidadania (SEC), a capacitação destacou que a violência contra mulheres está inserida em uma relação de poder e exige uma resposta articulada da sociedade. “Essa formação é um chamado para uma grande mobilização popular pelo feminicídio zero e em defesa da vida de todas as mulheres”, afirmou Manuela.
A subsecretária ressaltou que a maioria das vítimas de violência, incluindo violência sexual, sofre agressões dentro de casa. “Os autores, em sua maioria, são homens próximos, como parceiros e pais, aqueles que deveriam protegê-las”, enfatizou. Ela também defendeu a participação masculina nos debates e a necessidade de formações contínuas ao longo do ano, não apenas em datas simbólicas.
Presente na abertura do evento, o prefeito de Corumbá, Gabriel Alves de Oliveira, o Dr. Gabriel, reforçou que o enfrentamento da violência doméstica exige ações articuladas.
“A rede de proteção desempenha um papel fundamental no acolhimento das vítimas. Esperamos que desta capacitação surjam avanços concretos para garantir mais segurança e dignidade às mulheres”, pontuou.
Capacitação e fortalecimento da rede
Durante a formação, foram abordados temas como o papel da rede de atendimento às mulheres em situação de violência, metodologias de políticas públicas, desafios e estudos de caso. A gerente de Políticas Públicas para Mulheres de Corumbá, Wania Alecrim, destacou que a reconstrução da rede na região exige constante capacitação.
“A complexidade da violência exige embasamento teórico e conhecimento prático. Além disso, enfrentamos desafios regionais como a distância da Capital e a realidade da fronteira com a Bolívia”, explicou.
A coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres de Ladário, Andréia Cristina Barbosa de Oliveira, valorizou a troca de experiências. “Para quem está iniciando na gestão, é essencial obter conhecimento e capacitação para lidar com os desafios do enfrentamento à violência”, disse.
Já a guarda municipal Andreia Castilho, que atua na Patrulha Maria da Penha há cinco anos, reforçou a importância da integração. “O trabalho com mulheres vítimas de violência exige atuação conjunta. Capacitações contínuas fortalecem o atendimento e garantem que a rede funcione de maneira eficiente”, observou.
Na Bolívia, a sargento Jenny Coronado Choque compartilhou a experiência da polícia boliviana no atendimento às vítimas. “Percebemos que os desafios são semelhantes entre os dois países. Precisamos estar atentos para garantir que nenhuma mulher volte para casa e se torne novamente vítima de violência”, concluiu.