O Museu de História do Pantanal (MUHPAN), localizado no Casario do Porto de Corumbá e reconhecido como Patrimônio Histórico Nacional, enfrenta uma situação crítica que ameaça tanto sua estrutura física quanto a preservação de seu acervo.
Uma inspeção recente realizada por especialistas em cultura e preservação histórica identificou infiltrações severas no edifício, comprometendo sua estabilidade. O problema é especialmente grave no terceiro andar, onde a umidade excessiva e uma infestação de cupins já causaram danos irreversíveis a obras e documentos históricos. O acervo, que inclui registros da ocupação humana do Pantanal e peças arqueológicas de grande valor, está sob risco iminente.
Diante dessa condição alarmante, foi iniciado um levantamento emergencial para avaliar as necessidades de conservação e garantir a segurança mínima para o funcionamento do museu. Engenheiros e técnicos devem realizar uma análise detalhada da parte elétrica e estrutural do prédio, com o objetivo de propor soluções para sua recuperação e preservação a longo prazo.
O MUHPAN possui uma importância singular na conservação da memória e identidade cultural do Pantanal. Seu acervo inclui mobiliários confeccionados pela Marcenaria Baraúna, um dos raros exemplares desse tipo de design no Brasil, sendo que a empresa trabalhou em parceria com a renomada arquiteta Lina Bo Bardi. Peças semelhantes podem ser encontradas apenas em instituições de destaque, como o MASP e o SESC Pompeia.
Além disso, o museu abriga vestígios arqueológicos que contribuem para a reconstrução da história regional, incluindo a Corumbella, um fóssil de extrema relevância científica. A perda ou deterioração desse acervo representaria um prejuízo irreparável para o patrimônio histórico do Pantanal e para a compreensão da ocupação humana na região.
A necessidade de medidas urgentes para a recuperação do MUHPAN é evidente. A degradação do prédio e a ameaça ao acervo evidenciam a importância de políticas públicas voltadas para a preservação do patrimônio cultural, garantindo que as gerações futuras tenham acesso a esse espaço fundamental para a história e a identidade regional.
Fotos: Divulgação MUHPAN