Yasmin Raphaella Balbueno Jaber Rodrigues, de 24 anos, casada e ex-funcionária de uma agência bancária em Campo Grande, morou em Corumbá junto com sua família, Yasmin era cristã, cantava nos cultos de sua igreja, participou de festivais em Corumbá e um dia viu sua vida mudar drasticamente após o diagnóstico de uma doença rara. A jovem, que deveria estar no auge de sua carreira e vida pessoal, agora enfrentava uma batalha judicial recorrente para obter uma medicação necessária ao seu tratamento.
A Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) idiopática foi identificada em dezembro de 2021, alterando radicalmente sua rotina. Por ser uma condição grave, Yasmin precisou se aposentar precocemente. Os sintomas iniciais incluíam fadiga extrema e retenção excessiva de líquidos, chegando a acumular até 20 kg de fluído no corpo. Atividades cotidianas, como escovar os dentes e pentear o cabelo, tornaram-se desafios imensos.
A jovem e seu marido iniciaram uma série de exames e consultas após perceberem episódios frequentes de falta de ar e desmaios inesperados. Durante essa investigação, enfrentaram dificuldades para obter um diagnóstico preciso, sendo necessária a internação em estado grave no dia 5 de dezembro de 2021. Apenas após cerca de 15 a 20 dias hospitalizada, os médicos conseguiram confirmar o diagnóstico correto.
Desde o início do tratamento, Yasmin passou por três hospitais em Mato Grosso do Sul, mas percebeu que o Estado não possuía estrutura adequada para tratar sua condição. Por orientação médica, em fevereiro de 2022, seu marido conseguiu uma vaga no Incor-HCFMUSP, em São Paulo, onde ela precisou residir por dois anos, enfrentando internações prolongadas, chegando a nove meses consecutivos.
Após esse período na capital paulista, Yasmin retornou a Mato Grosso do Sul, onde apresentou melhora significativa, mas continuava dependendo de uma medicação de alto custo, entre R$ 30 mil e R$ 40 mil, necessária a cada seis meses. O fornecimento do medicamento só ocorria por meio de ação judicial, obrigando-a a entrar com um novo pedido na Justiça a cada semestre.
Inicialmente, a jovem buscou auxílio da defensoria pública, mas o prazo para a primeira entrevista era um tempo que ela não podia esperar. Dessa forma, optou por contratar um advogado particular para acelerar o processo. O Estado e o município recorreram contra a decisão de fornecer a medicação, mas, em todas as instâncias, a Justiça garantiu seu direito, baseando-se nos relatórios e laudos médicos.
Mesmo com a decisão judicial favorável, Yasmin relata que o fornecimento da medicação sempre sofria atrasos. A solicitação é feita com dois meses de antecedência, mas a demora na compra e entrega do remédio a levava novamente ao estado grave. Recentemente, ela dependia de oxigênio durante todo o dia para conseguir manter sua qualidade de vida.
“Sem o medicamento, fico impossibilitada de andar”, desabafou Yasmin em vida.
Em outubro de 2024, o último pedido do remédio foi feito, mas até meados de fevereiro ( PERÍODO DE FESTAS DE CARNAVAL ) não havia sido entregue.
“Mesmo com a decisão judicial favorável, seguimos aguardando o fornecimento. O processo já está na fase de intimação para que o Estado tome providências”, destacou Yasmin.
Para ela, a situação ERA uma realidade enfrentada por muitos pacientes no país.
“É injusto que pessoas dependam da Justiça para ter acesso ao tratamento e corram o risco de perder a vida pela demora na entrega de medicamentos essenciais”, finalizou.
ANTES de sua partida Yasmin e sua família seguia pedindo a colaboração de todos para que o caso fosse abordado com veemência por toda a sociedade, e para que houvessem melhorias nas questões estruturais em hospitais do estados para receber pacientes com esse tipo de problema.
Infelizmente Yasmin não resistiu a espera e veio a óbito e deixou como legado a sua luta pela melhoria na saúde em todo o Estado de Mato Grosso do Sul.
Com informações: Mídia MAX