O setor de bioenergia de Mato Grosso do Sul projeta um crescimento significativo na safra 2025/2026, com a produção de etanol atingindo aproximadamente 4,7 bilhões de litros, um aumento de 11% em relação ao ciclo atual (2024/2025). A produção de açúcar também seguirá essa tendência de alta, com uma estimativa de 2,6 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 30%.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26), durante a Expocanas, evento que reúne lideranças do setor sucroenergético, autoridades estaduais e representantes da iniciativa privada. Além do crescimento na produção, Mato Grosso do Sul se prepara para receber a maior planta de biometano do mundo, que será instalada pela Atvos em Nova Alvorada do Sul. O empreendimento, que utilizará a vinhaça como matéria-prima, receberá um investimento de R$ 350 milhões e faz parte das iniciativas voltadas para a descarbonização e transição energética sustentável no Estado.
Expansão e desafios do setor de bioenergia
O CEO da Atvos destacou o papel da bioenergia na transformação do futuro energético. “No ano passado, anunciamos no evento o nosso primeiro projeto de biometano e reforçamos nosso compromisso com o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, pois o Estado tem papel fundamental para impulsionar a transição energética no Brasil e no mundo”, afirmou o executivo.
Mato Grosso do Sul se consolida como um dos principais polos nacionais na produção de energia renovável, destacando-se na produção de etanol, açúcar e bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar e do milho. Atualmente, o Estado conta com 22 usinas de bioenergia em operação e cerca de 50 fornecedores de cana, que geram mais de 30 mil empregos diretos e estão distribuídos em mais de 40 municípios.
O presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), Amaury Pekelman, ressaltou que, apesar das perspectivas positivas para o ciclo 2025/2026, o setor enfrenta desafios como a possível elevação da mistura de etanol na gasolina para 30%.
Na safra 2024/2025, o setor de bioenergia de Mato Grosso do Sul registrou uma produção recorde de 4,2 bilhões de litros de etanol, mantendo o Estado como o quarto maior produtor do país. Esse crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelo etanol de milho, que representou 37% do volume total produzido. Já a produção de açúcar se manteve estável, alcançando 2 milhões de toneladas, com um leve crescimento de 0,1%.
Segundo Pekelman, dois fatores foram determinantes para a performance do setor na última safra. “A complementariedade do etanol de milho trouxe um salto tecnológico e estratégico para a produção do biocombustível. Outro aspecto importante foi a resiliência do setor, que, mesmo com a redução na moagem de cana devido a eventos climáticos adversos, manteve sua capacidade produtiva e gerou resultados expressivos”, explicou.
O presidente da Sulcanas (Associação Sul-mato-grossense de Cana), Marcio Verrunes, reforçou a importância das parcerias entre os produtores e a indústria para a consolidação do setor no Estado.
Expocanas 2024: inovação e negócios
A Expocanas, maior evento de bioenergia de Mato Grosso do Sul, começou nesta segunda-feira (25) em Nova Alvorada do Sul e segue até quinta-feira (27). A feira já faz parte do calendário oficial do Estado e reúne as mais recentes tecnologias, pesquisas e práticas sustentáveis voltadas para o setor sucroenergético.
Os organizadores estimam a presença de mais de 8 mil visitantes por dia, com 120 expositores distribuídos em um espaço de 180 mil metros quadrados. O evento apresenta campos demonstrativos de variedades de cana-de-açúcar e de culturas como milho, soja e sorgo, além de exposições de máquinas agrícolas, equipamentos de alta tecnologia e produtos inovadores para manejo e produtividade.
Em 2024, a feira movimentou cerca de R$ 70 milhões em novos negócios, e a expectativa é superar essa marca na edição deste ano. O evento é organizado pela Sulcanas, com apoio da Biosul e do Governo do Estado.
Setor sucroenergético em Mato Grosso do Sul
A indústria sucroenergética do Estado é composta por 22 unidades em operação, sendo que todas produzem etanol hidratado, 12 produzem etanol anidro, 12 produzem açúcar (VHP, cristal ou refinado) e todas geram bioeletricidade, com 13 exportando o excedente para a rede nacional. O setor responde por 17% do PIB industrial do Estado e atualmente soma 800 mil hectares de cana-de-açúcar cultivados em 42 municípios.
Nova Alvorada do Sul, sede da Expocanas, é um dos maiores polos de produção de cana do Brasil, com mais de 100 mil hectares dedicados ao cultivo da matéria-prima.
No quesito sustentabilidade, todas as usinas de bioenergia do Estado estão certificadas no RenovaBio, um dos maiores programas de descarbonização do mundo. De 2020 a 2024, a produção de etanol no Estado evitou a emissão de 13,7 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera, o equivalente ao plantio de 89 milhões de árvores.
Com investimentos crescentes e um setor cada vez mais tecnológico e sustentável, Mato Grosso do Sul se firma como referência nacional na produção de bioenergia, impulsionando o desenvolvimento econômico e ambiental.
Fotos: Saul Schramm/Secom
Com Informações: Agência de Notícias de Mato Grosso do Sul